Quanto vale para ser cidadão?
Leia artigo de Raimundo Gomes da Cruz Neto sobre a criminalização de militantes dos movimentos de trabalhadores do campo e, em especial, das mineradoras.
Nas últimas semanas a imprensa tem divulgado a posição de diversas pessoas ao se manifestarem contra ações dos movimentos sociais, que lutam em defesa dos direitos dos trabalhadores, do campo e da cidade, e em defesa dos recursos naturais do povo brasileiro, como tem reivindicado o MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e o MTM – Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração.
Para o presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, os atos cometidos por homens e mulheres destes movimentos, que não concordam com o saque que a Vale vem fazendo às riquezas minerais deste país, com a geração de miséria e pobreza ao povo, são atos de bandidos.
Da tribuna da Câmara dos Deputados, o deputado Giovani Queiroz(PDT) reclama da falta de atuação do Estado para evitar as ocupações, e enaltece a Vale, como “empresa da qual devemos nos orgulhar” porque esta empresa vem “consolidando aqui empresas siderúrgicas que possam gerar mais emprego, mais renda e melhorar a qualidade de vida do nosso povo”.
Em Belém, um intitulado “Fórum de Entidades Empresariais do Pará”, lançaram um movimento denominado “Alerta Pará”. Durante o evento realizado por este fórum foram feitas inúmeras críticas ao Estado e aos movimentos sociais. Uma das críticas ao Estado, dizem eles: que garante impunidade, o surgimento de “grupos paramilitares” e o terrorismo.
A Câmara Municipal de Marabá concedeu ao presidente da COSIPAR-Companhia Siderúrgica do Pará(?), o título de “cidadão marabaense”. Segundo os vereadores, pela contribuição desta empresa ao desenvolvimento econômico e a cultura de marabá, durante os vinte anos que a empresa produz ferro gusa no Distrito Industrial de Marabá.
Se apurarmos nossa capacidade intelectual no sentido de compreender o que tudo isto representa, o resultado será, no mínimo, assustador. Porque quem fala de banditismo, de qualidade de vida para o povo, de grupos paramilitares, terrorismo, e que concedem titulo com falsa justificativas, que sociedade defendem?
Parece que nada mais e nada menos do que sociedade de colonizados, submissos, hipócritas, que outorgam sempre ao de fora, ao colonizador, o direito de explorar e espoliar as riquezas e o povo, até a sua medula. De forma que estes que se acham na condição de donos do poder, de “puxa sacos”, de capachos, e de delegar as autorizações e concessões, também se beneficiem no processo.
Porque, a quem serve a Vale, e os empresários de diversos segmentos deste país? Não será ao capital internacional, aos acionistas que se apropriam dos lucros da Vale gerado péla venda de nossos minérios, ao império formado pelos países fortemente industrializados, sob a hegemonia dos Estados Unidos? E os politiqueiros, para que e para quem serve?
Já imaginaram o que cabe ao povo? Não será a expulsão de suas terras(como a Vale já fez em Serra Pelada com os garimpeiros e está fazendo em Ourilândia com os agricultores, como fazem os latifundiários), as cadeias, a violência, a pobreza, a prostituição, as drogas, o desemprego, as doenças, a pobreza e a miséria?
O que será deste Estado e desta região daqui a 30 anos? Não será um espaço de enormes crateras, florestas destruidas, água, ar e solo poluídos, enormes lagoas de rejeitos de resíduos sólidos e líquidos de produtos altamente tóxicos, montanhas de estéril sobre os vales entre rios?
Portanto, até quando serão os mesmos parâmetros que continuarão servindo para que a politicagem continue definindo quem é cidadão marabaense, principalmente, em vésperas de eleição? E os trabalhadores, verdadeiros construtores e produtores, continuarão na condição de marginais, não cidadãos, raça inferior, superficiários, insumos para produção de ferro gusa, de concentrado de cobre e de níquel, do alumínio, da alumina?
Vamos à luta!
Marabá, 05 de maio de 2008.
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