Mãe Terra-Água
Poema de Padre Alfredo Gonçalves sobre a terra e sua importância como fonte de vida.
Ela concebe no ventre sementes de múltiplas formas de vida,
alimentando-as com o sangue e o leite do próprio organismo;
Ela traz à luz uma variedade imensa de seres vivos,
embalando-os e protegendo-os em sua fragilidade inicial;
Ela providencia os elementos essenciais à sua nutrição,
para que sem medo deitem raízes ou ensaiem os primeiros passos;
Ela lhes ensina a linguagem de uma comunicação vital,
onde todos convivem, se relacionam e interagem reciprocamente;
Ela os encanta e acalenta com cantigas de ninar,
melodias orquestradas pela voz do vento e das águas;
Ela os reveste de folhas e pétalas, pêlos e peles, plumas e escamas,
no prazer materno de oferecer à criatura a mais bela roupagem;
Ela os acaricia e os aquece com a brisa e o calor,
defendendo-os do frio e da crueldade da era glacial;
Ela ensaia com eles os acordes do canto, da música e da dança,
garantindo-lhes que a existência há se ser uma festa sem fim;
Ela se movimenta ao redor do sol e de si mesma,
num ritmo ideal para a vida e reprodução de suas criaturas;
Ela renova com abundância o alimento que as mantém vivas,
integrando com sabedoria as dimensões do tempo e do espaço;
Ela tece sistemas e ecossistemas naturais e harmônicos,
laboratórios para formas de vida cada vez mais elevadas;
Ela permite que cresçam, que trabalhem e se lancem ao destino,
para que na liberdade possam encontrar a razão de viver;
Mas ela também chora, sofre e sangra, qual mãe impotente,
quando a liberdade das criaturas degenera em devastação e morte;
Enfim, como mãe ela tem consciência de ser também criatura,
embalada, cuidada e protegida pela mão amorosa do Criador.
Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
São Paulo, 07 de maio de 2008