O que é Dívida Ecológica - Dívida Ambiental?
A dívida ecológica é a dívida acumulada pelos países do Norte em relação aos países do Sul. Mas também compreendemos que Dívida Ambiental nos dias atuais passa a ser os impactos provocados pelo desenvolvimento desenfreado sobre as populações, ribeirinhos, pescadores, camponeses, e as ameaças constantes a vida, ao território, as ameaças a produção de alimentos, dentre outras formas.
Dívida Ecológica
A dívida ecológica é a dívida acumulada pelos países do Norte em relação aos países do Sul por duas razões: em primeiro, pelas exportações de matéria –primas a preços muito baixos dos países originários para os países altamente industrializados, preços que não incluem os danos ambientais produzidos pela extração e processamento, nem pela contaminação que tais explorações provocaram (e continuam a provocar); em segundo, pela ocupação gratuita e barata do espaço ambiental (a atmosfera, a água e a terra) resultante dos depósitos dos resíduos produzidos pelos países do Norte no Sul e do consumo desigual entre Norte e Sul e entre classes sociais.
A dívida ecológica começa com o colonialismo e ainda prossegue sob as mais diversas formas. O conceito de dívida ecológica baseia-se na idéia de justiça ambiental: se todos os habitantes do planeta têm direito à mesma quantidade de recursos e à mesma porção de espaço ambiental, os que usam mais recursos ou ocupam mais espaço têm uma dívida em relação ao demais.
Quantificar a Dívida Ecológica?
Não se pode dar um valor monetário à Dívida Ecológica no seu conjunto. De fato, há dificuldades que se ligam a um grande número de danos ambientais produzidos desde a época do colonialismo até aos nossos dias que faz ser impossível o seu cálculo total.
Da mesma maneira, a complexidade das relações entre ecossistemas e a sociedade humana faz que seja difícil determinar com exatidão as conseqüências de um dano ambiental.
A avaliação monetária pode dar conta só de uma parte das perdas associadas com a Dívida Ecológica, mas ignora muitos outros aspectos dessas perdas. Por exemplo, os economistas usam vários métodos para estimar o valor econômico de uma vida humana, usando, por exemplo, o preço dos seguros de vida. Estes valores refletem só uma parte das perdas associadas a uma morte, enquanto que muitos outros aspectos não podem ser expressos em termos monetários. Mais a mais, estas estimativas são sempre discutíveis porque dependem da realidade de cada país e de cada grupo social. Por todas estas razões é que não é possível compensar senão uma pequena parte da Dívida Ecológica.
No entanto, ao nível empresarial, institucional e, principalmente, político pode ser eficaz usar uma linguagem quantitativa e monetária. Por exemplo, comparar a Dívida Ecológica, expressa em valores monetários, com a dívida externa, pode ser muito útil para demonstrar como esta última já há muito que foi paga, e que são os países do Norte que devem aos do Sul, e não ao contrário.
Autora do texto: Daniela Russi, elemento do Observatório da Dívida Ecológica. Texto retirado da revista «Ecologista» nº 42, Invierno 2004/2005, editada pelos Ecologistas en Acción