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Estados Unidos negociará consigo mesmo TLC com Equador

por jubileuúltima modificação 2008-05-14 19:33

As resoluções da cúpula de Ministros de Comércio Exterior da Alca em Miami começaram a surtir efeitos. A abertura do leque das negociações para tratados de livre comércio bilaterais, trunfo que os Estados Unidos tiraram da manga do casaco do Tio Sam, diante da crescente oposição à Alca, já têm se estendido para os países da Comunidade Andina.

Marcelo Larrea* para Adital

Quito, Equador

O primeiro ponto tratado para se efetivar a negociação de um TLC entre o Equador e os Estados Unidos envolve a chamada "capacitação" dos negociadores. O Ministério de Comércio Exterior procura obter 5 milhões de dólares para este fim. A agência dos Estados Unidos para o desenvolvimento, USAID, conhecida desde a década de 1960 por sua ativa colaboração com a CIA nas conspirações políticas de Washington, através do pagamento às redes de agentes e informantes, atualmente destaca-se no apoio à participação equatoriana no Plano Colômbia e na ampliação das operações do Comando Sul no país, concedendo crédito não reembolsável de 2 milhões de dólares. A esta quantia se somaria um crédito de quase 3 milhões de dólares liberados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, organismo que opera sob o controle de seu maior acionista, os Estados Unidos.

Trata-se de um dispendioso processo de formação de negociadores como produtos em série, que financiado pelos Estados Unidos, será dirigido e controlado pelos Estados Unidos. Com este método, os Estados Unidos asseguram que, tanto seus negociadores como os de sua contraparte, o Equador, atuem segundo as mesmas diretrizes, estabelecidas pelo próprio Estados Unidos. Com esta moderna tática colonial, os Estados Unidos garante de antemão seus interesses e o Equador suas perdas. Susan Cronin, delegada da Agência de Comércio dos Estados Unidos, afirmou para industriais e exportadores em Guayaquil, que "se requer que os negociadores recebam uma constante assessoria de especialistas e conheçam a fundo os problemas de cada setor". Os empresários equatorianos não enxergam outra saída. "Não aceitar este acordo será negativo para o país, porque a Colômbia e o Peru o farão, o que lhes propiciará vantagens com impostos de exportação zero. Se isto ocorrer, as indústrias locais deverão vender seus produtos aos Estados Unidos através da Colômbia e do Peru, ou transferir seus negócios para estes países vizinhos. Com o acordo não se exportará mais porque o país não diversificou a produção, nem há capacidade para produzir um volume maior de mercadorias, e muito menos aumentarão as importações porque a população não possui pode aquisitivo. A atração de investimentos é o que promete ser o grande benefício do tratado", declarou o presidente da Federação Nacional de Câmaras de Comércio, Joaquín Zevallos.

Pelo visto, os Estados Unidos sabem o que querem, e não precisam revelar suas pretensões a ninguém, além de se preparar para negociar consigo mesmo e impôr as condições de seu TLC com Equador. O Ministério de Comércio Exterior não se perguntou sequer se o patriotismo pode ser melhor negócio que a traição que levará à mendicância. E os empresários que apregoam que não melhorarão suas vendas, se consolam vendendo a si mesmos a falácia de que não aumentarão as importações, como se o aparato produtivo nacional pudesse competir com o dos Estados Unidos, que se beneficiará da eliminação das taxas e dos generosos subsídios da maior economia do mundo, além de aceitar alienação do conforto produzido pela resposta repetida cegamente: "não se encontra outro caminho".

 * Marcelo Larrea é correspondente da Adital e diretor da revista "El Sucre" do Equador.


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